sábado, 10 de março de 2012

Researchgate: uma rede social para cientistas.



Se você acredita na evolução das espécies não pode fechar os olhos a um outro tipo de (r)evolução que está surgindo na ciência! Não me refiro a nenhuma nova teoria científica mas sim a uma nova forma de se encarar a publicação das pesquisas. Todo cientista, desde aluno ainda na graduação, aprende o método científico e também que ao final de sua pesquisa ela tem que ser publicada. É aí que começa o tormento de muitos (talvez de todos). Se não publicar (ou publicar pouco) o cientista simplesmente não existe para a comunidade científica, não progride na carreira, aliás nem chega a ter uma. Além de publicar, a revista científica na qual se publica tem que ser considerada de qualidade segundo alguns critérios que no Brasil são estabelecidos pela Capes. Posso adiantar que são poucas as revistas que possuem esse padrão “Qualis”  (Veja também esse artigo e seus links). Além disso, algumas revistas cobram para o cientista publicar nelas e muitas não tem acesso livre, ou seja, você só lê o artigo se pagar uma taxa, que varia de revista para revista. Acontece que esse sistema é demorado, caro, e obviamente não é acessível aos pesquisadores de todo o mundo. Atualmente o governo brasileiro proporciona acesso livre a algumas revistas através do sistema Scielo, e assina algumas outras revistas importantes (não todas claro!) as quais disponibiza somente a pesquisadores e alunos das nossas universidades e instituições de pesquisa através do portal Periódicos Capes .


E a tal revolução, onde está? Está justamente em romper com o tipo de publicação da forma como ela é feita hoje, ou seja em revistas de alto custo, lentas e de difícil acesso. Aos poucos, e timidamente, alguns cientistas estão dando sinais de que esse sistema não é eficiente e não está mais agradando! Pela primeira vez surgiu um movimento de rompimento com as grandes editoras, gerando um abaixo-assinado com milhares de assinaturas, que surtiu algum efeito: a queda no preço cobrado para a leitura dos artigos. Para saber mais sobre o boicote leia a matéria da Folha aqui e aqui.

Uma outra iniciativa recente consiste em um tipo de rede social para pequisadores a Reseachgate idealizada pelo virologista e cientista da computação formado em Harvard Ijad Madisch. A idéia dele é reunir os pesquisadores de todo o mundo para que discutam e compartilhem seus resultados abertamente. O site anuncia :
“ResearchGate was built for scientists, by scientists, with the idea that science can do more when it's driven by collaboration”
 (ResearchGate foi construído para os cientistas, por cientistas, com a idéia de que a ciência pode fazer mais quando é impulsionada pela colaboração). 

A proposta de tornar a pesquisa mais eficiente e interdiciplinar através de um ambiente de colaboração livre parece ter agradado a muitos pois a rede já conta com mais de 1 milhão de seguidores.

É claro que ainda há muitas perguntas aparentemente sem uma resposta clara: como evitar o plágio? Como garantir a autoria  e a qualidade da pesquisa? E principalmente, quem pagará essa conta? Somente após o tempo necessário para a “seleção natural” atuar, separando o joio do trigo, deverá se chegar a um “equilíbrio das forças” dos setores envolvidos no processo (cientistas, editoras, universidades e centros de pesquisa, governos) e tais perguntas (e muitas outras que surgirão) poderão ser respondidas. Não tenho dúvidas de que a idéia de ciência aberta ainda deve se difundir muito no mundo e amadurecer até se chegar ao formato ideal. Mas uma coisa é certa, a próxima geração de pesquisadores não publicará da mesma forma que a nossa e nós temos que estar abertos as transformações que virão a curto prazo para podermos preparar nossos alunos para essa nova realidade.

Veja também a matéria da Veja sobre a Researchgate. E em outros meios de comunicação pelo mundo.
Leia também o excelente artigo sobre a política de acesso aberto no Brasil, onde Atila Iamarino faz uma análise minuciosa do problema. O artigo está recheado de links  imperdíveis.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Concurso Ecovídeos nas Escolas.



Que nossas escolas não são modelos de perfeição, isso todos nós sabemos bem! Mas qual é o nosso papel nessa engranagem?

Que tal um concurso de vídeos para promover a sustentabilidade no ambiente escolar? Ainda não falei aqui mas acho esses concursos uma ótima forma de motivar os alunos, e por que não os professores também, de todos o níveis. Das crianças aos adultos, quem não gosta de um desafio, de sair da rotina, e de colocar todos os neurônios para funcionar ao mesmo tempo?!

No clima da Rio +20, a TV escola lançou o concurso Ecovídeos das Escolas com o tema “Qual é o seu papel na criação de um mundo sustentável?”. Para participar você deverá fazer um vídeo (com o celular mesmo) de até dois minutos propondo soluções para os problemas socioambientais da sua escola ou bairro. Podem ser feitas dramatizações, animações, documentários ou até mesmo um clip de uma música e/ou dança. Após a gravação do vídeo você deverá postá-lo no Youtube e enviar o link do seu vídeo para o email tvescola@mec.gov.br, com o título, a descrição do projeto, o nome, e-mail do responsável, telefone e endereço da escola. O regulamento do concurso pode ser acessado aqui.


Serão premiados dois vídeos: o vídeo mais acessado e o melhor vídeo escolhido pelo júri. Os produtores do vídeo mais acessado receberão a equipe da TV Escola para uma reportagem exclusiva. E o grupo vencedor, escolhido pelo júri, ganhará uma viagem ao Rio de Janeiro para a gravação de um programa especial na TV Escola. Todos os vídeos que participarem do concurso serão postados no blog  criado pela equipe da TV Escola especialmente para a 4ª. Semana do Meio Ambiente.

Não sabe como fazer e enviar os seus vídeos? Acesse a ajuda  no final da página principal do próprio Youtube e descubra!.Agora é só montar sua equipe e botar a criatividade a serviço da sustentabilidade, mas corra pois você terá até 30 de março para enviar o trabalho da sua equipe.

O concurso é uma ótima oportunidade para promover a reflexão sobre o meio ambiente e promover ações transformadoras no âmbito escolar.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Aniversário de Darwin e livros gratuitos na NAP

Charles Darwin.   Fonte:wikipedia
 
 Em comemoração ao 203o. aniversário de Charles Darwin, a National Academies Press está oferecendo o download gratuito de vários livros relacionados à evolução.  Os livros (em Inglês) podem ser baixados após um breve cadastro no site.
Dentre os títulos disponíveis estão:


Science, Evolution, and Creationism


Science, Evolution, and Creationism

Understanding Climate's Influence on Human Evolution

Understanding Climate's Influence on Human Evolution


Evolution in Hawaii

Evolution in Hawaii: A Supplement to Teaching About Evolution and the Nature of Science



In the Light of Evolution IV

In the Light of Evolution IV: The Human Condition





In the Light of Evolution III
In the Light of Evolution III: Two Centuries of Darwin





In the Light of Evolution, Volume II
In the Light of Evolution Volume II: Biodiversity and Extinction





In the Light of Evolution, Volume I
In the Light of Evolution Volume I: Adaptation and Complex Design




Se você não se interessou por nenhum desses, sugiro um passeio pelo site pois há vários outros títulos sobre assuntos diversos, que também podem ser "baixados" gratuitamente.

Editado: Sobre o aniversário de Darwin recomendo a leitura do post do Marco Evolutivo. Abaixo alguns trechos que eu adorei:
"Darwin hoje representa para nós acima de tudo Coragem. Valentia para se questionar e mudar, evoluir no pensamento."
e complementa:
" O antropocentrismo terrorista, que ao pregar que o ‘homem’ é o ápice, quase divino e, por tanto, está autorizado a usar e abusar das outras culturas, etnias, espécies e ecossistemas, está, não só está destruindo a si mesmo, mas levando tudo o mais junto para o buraco."

Reveja também o filme sobre "a história das coisas" no meu post sobre o antropocentrismo e consumismo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Você pode contribuir para a elaboração das Metas Nacionais para a Biodiversidade.


Divulgação: http://www.mma.gov.br

Até o dia 31 de janeiro você poderá contribuir para a elaboração das metas nacionais de biodiversidade para 2020. Para isso basta responder à consulta pública proposta pelo Ministério do Meio Ambiente que tem como principal objetivo revisar e atualizar a estratégia nacional de biodiversidade por meio da elaboração de metas nacionais para 2020, considerando os diferentes biomas e peculiaridades dos setores da sociedade.
A iniciativa intitulada “Diálogos sobre Biodiversidade: construindo a estratégia brasileira para 2020”, já consultou cinco setores da sociedade (empresarial,ONGs ambientalistas, academia, governo, povos indígenas e comunidades tradicionais) sobre suas propostas de metas nacionais de biodiversidade. Durante o ano de 2011, aconteceram 5 grandes reuniões de consulta presenciais, onde foram propostas metas nacionais de biodiversidade, considerando as visões e necessidades dos setores, visando obter um conjunto enxuto de metas para maior efetividade no seu alcance e monitoramento. A consolidação das propostas está no documento base da consulta pública. Nesse documento são apresentadas todas as metas para 2020 propostas pelos setores durante as 5 reuniões e servirá como um guia de referência para  o preenchimento do questionário da consulta pública. 

As orientações para o preenchimento do formulário da consulta pública são:
Orientação geral: As metas propostas devem ter caráter abrangente/nacional. Neste momento, não serão consideradas metas em escala local.

1.Tenha o documento base para consulta e faça análise das metas e submetas nacionais propostas, considerando a possibilidade de ajustes ou de novas propostas e a necessidade de termos um conjunto enxuto de metas.
2.Os campos de identificação não são obrigatórios (nome, instituição e contato) mas para nós é importante que o setor esteja identificado.
3.Existe um campo para proposição de alterações (questão 4) e outro para proposição de novas metas (questão 6) que devem ser respondidas de forma descritiva. Solicitamos que atentem para o fato de que é importante a identificação das metas originais que se pretende alterar e, no caso de nova meta, é importante identificar a meta global a qual está relacionada.
4.Por fim, existe a questão nº 7 para apresentação de comentários gerais que serve para receber qualquer tipo de manifestação que possa agregar contribuições ao processo: críticas, sugestões, comentários gerais, dúvidas, dentre outros.
5. Quando terminar de responder este questionário, aperte o ícone "Concluído" que receberemos a sua resposta.

Na página da consulta pública estão disponíveis os detalhes e os documentos de referência para download. 

A consulta pública é um instrumento democrático que prevê a participação da sociedade brasileira na política pública. Participe!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Adeus a Lynn Margulis.

O mundo perdeu aquela que inspirou várias gerações de biólogos e certamente foi a bióloga mais importante da atualidade. Lynn Margulis faleceu no final de novembro, aos 73 anos, após ter sofrido um acidente vascular cerebral dias antes.

Doutora em genética, nos últimos 23 anos lecionou na Universidade de Massachussets onde dedicou sua vida a pesquisa evolutiva e a divulgação científica, fazendo ambos com grande paixão. Seus estudos são reconhecidos como alguns dos mais brilhantes da sua geração. Publicou inúmeros artigos científicos e mais de dez livros (em inglês). Dentre as suas obras que foram publicadas no Brasil estão: Os Cinco reinos (livro de referência para estudantes de Ciências Biológicas), O planeta simbiótico,  O que é vida?, O que é sexo? e Microcosmos.

A cientista ficou conhecida por sua teoria da simbiogênese, proposta nos anos 60, que desafiou as teorias neodarwinistas com a idéia de que as a interação entre os organismos (endossimbiose) poderia promover variações nos organismos passíveis de serem passadas às gerações posteriores e não somente as mutações como os neodarwinistas afirmavam. Margulis propôs que as células eucariotas, que constituem os organismos multicelulares, evoluíram a partir de relações de simbiose entre bactérias, enfatizando a importância dos microorganismos.

Sua teoria que inicialmente foi muito criticada pela comunidade científica, hoje é amplamente aceita e dela deriva a moderna taxonomia de protistas (ou protoctistas, como ela preferia) e outros organismos.  Segundo a teoria da endossimbiose, há milhares de anos, organismos eucariontes primitivos se associaram a procariontes de vida livre que passaram a viver de forma simbiótica. Esse organismo procarioto deu origem às organelas citoplasmáticas dos eucariotos como as mitocôndrias e os cloroplastos. As mitocôndrias seriam o resultado da endocitose de procariontes aeróbios e os cloroplastos de procariontes fotossintetizantes (possivelmente cianobactérias).

Sua teoria criativa e brilhante explica uma lacuna deixada pelo neodarwinismo: o sucesso evolutivo através do aumento da complexidade celular, que ela atribuiu à simbiose entre organismos primitivos de diferentes espécies. 

Dentre os argumentos que confirmam sua teoria estão as constatações de que (segundo Wikipedia, com modificações pessoais): as mitocôndrias e os cloroplastos possuem DNA semelhante ao das bactérias e diferente do que existe no  núcleo  celular; ambos possuem duas ou mais membranas e a mais interna tem diferenças na composição em relação às outras membranas da célula e semelhanças com a dos procariontes; análises bioquímicas dos cloroplastos e seus pigmentos apontam muitas semelhanças com as cianobactérias; análises filogenéticas realizadas com bactérias, cloroplastos e genomas eucarióticos revelaram maior similaridade dos cloroplastos com as cianobactérias; análises de sequências de DNA de algumas espécies sugere que o núcleo eucariótico contém genes que aparentemente tiveram origem no cloroplasto; o pequeno genoma das mitocôndrias e dos cloroplastos pode ter sido uma conseqüência do aumento da dependência destas  organelas após a simbiose se tornar obrigatória, ou melhor, passar a ser um organismo novo; vários grupos de protistas possuem cloroplastos, embora os seus portadores serem, em geral, mais estreitamente aparentados com formas que não os possuem, o que sugere que, se os cloroplastos tiveram origem em células endosimbiontes, esse processo teve lugar múltiplas vezes, o que é muitas vezes chamado “endosimbiose secundária” como ocorre, por exemplo, em Dinophyta, Heterocontophyta. 

Sem sombra de dúvida, uma grande perda para a ciência.

Abaixo alguns links externos:

A página do laboratório dela na Universidade  Massachussets contém com várias fotos e informações sobre seu trabalhos, alguns estão disponíveis para download.

Uma resumidíssima biografia. Mesmo acessada em 13 de dezembro, ainda não constava o seu falecimento!!!).

Um pouco mais sobre Margulis no excelente texto de Felipe A. P. L. Costa para o Observatório da Imprensa.

E por fim, assista o vídeo (em espanhol) no qual ela fala, de forma muito simples, sobre a teoria da endossimbiose e sobre VIDA. 




terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Banco de Imagens Científicas sobre Biologia Marinha


 Agora você pode explorar a biodiversidade marinha através de imagens registradas pelos próprios cientistas. Trata-se do banco de imagens Cifonauta que contém uma grande variedade de fotos e vídeos provenientes de atividades científicas em Biologia Marinha. O que difere este dos demais bancos de imagens é que as imagens possuem classificação taxonômica, estágio de vida, habitat e outras informações que permitem navegar de maneira intuitiva e didática. Este é um diferencial bastante útil aos estudantes, professores, biólogos e curiosos em geral.
Além das fotografias e vídeos de organismos vivos, o banco conta com registros feitos por meio de preparações especiais. Técnicas que possibilitam a visualização de estruturas internas, órgãos, tecidos e células, como a microscopia eletrônica de transmissão ou que permitem visualizar a topografia externa dos organismos como a microscopia eletrônica de varredura que produz imagens detalhadas.
As imagens podem ser usadas para fins não-comerciais desde que a fonte seja citada (ex. Migotto AE, Vellutini BC (eds). 2011. Cifonauta: banco de imagens de biologia marinha. Disponível em: http://cifonauta.cebimar.usp.br/ Acesso em: yyyy-mm-dd.).
Abaixo um exemplo de imagem e informação do site:



 A Porpita é um hidrozoário colonial que vive flutuando na superfície do mar. Os pólipos estão arranjados concentricamente na superfície inferior de um disco central quitinoso. Há um pólipo grande central (gastrozoóide) e ao seu redor inúmeros gastro-gonozoóides, que são responsáveis pela ingestão de alimento e produção de medusas. Mais externamente, se distribuem os pólipos responsáveis pela captura de alimento e defesa, os dactilozoóides.
Alvaro E. Migotto

Táxon: Porpita porpita
Especialista: Alvaro E. Migotto
Data: 6 de Abril de 2011 às 11:42
Local: Praia do Segredo, São Sebastião, SP, Brasil
Geolocalização: S 23°49'42" W 45°25'21"
Alvaro E. Migotto. Hidrozoário colonial flutuante, vista aboral - dactilozoóides distendidos. Banco de imagens Cifonauta. Disponível em: http://cifonauta.cebimar.usp.br/photo/9731/ Acesso em: 2011-12-06.

Qual a importância dos oceanos na sua vida?



Qual é a importância dos oceanos na sua vida?
Alguém aí já parou para pensar em qual é a importância do mar nas nossas vidas além de ir à praia e comer o peixe?
O oceano é uma parte integrante do nosso planeta, e é um componente essencial para a vida humana, como meio de subsistência, e para a manutenção do ambiente que nos sustenta. Uso do espaço oceânico e seus recursos está intimamente relacionado a economia global. Toda essa importância, que eu chamaria de vital para o planeta, motivou a  UNESCO a publicar, em novembro, um documento chamado Blueprint for Ocean and Coastal Sustainability.

O documento, que será submetido à apreciação durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio + 20) em 2012, alerta para o perigo que corre a “saúde” dos oceanos, explica sua importância como regulador do clima em todo o planeta, sua importância como fonte de alimentos de alto valor protéico e como meio de subsistência de cidadãos e de nações. Além disso, apresenta dez propostas para a proteção dos mares que incluem: o apoio ao desenvolvimento da chamada economia verde, intensificar os estudos sobre a acidificação dos oceanos, uma boa gestão dos recursos marinhos, desenvolver mecanismos jurídicos para atacar o problema das espécies invasoras e ações que promovam a diminuição da hipoxia dos oceanos. 
A íntegra do documento (disponível em inglês e francês) pode ser baixada no site da UNESCO ou aqui (versão em inglês).